Como o mercado de construção civil está se adequando às práticas sustentáveis

19 10 22

A sustentabilidade é uma pauta em alta no setor de construção.

Práticas voltadas ao meio ambiente, aliadas a certificações, promovem empreendimentos imobiliários mais sustentáveis que visam reduzir não só os impactos ambientais, como tornar o empreendimento autossustentável, poupando recursos e reduzindo custos de manutenção.

Um levantamento realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), indica que o setor de construção civil é responsável por 36% do consumo de energia, 38% de emissões de carbono relacionadas à energia, 50% do consumo de recursos naturais e deverá dobrar a emissão de carbono total até 2060.

Características de um edifício sustentável:

  • Possuir certificações voltadas para a sustentabilidade
  • Utilizar fontes de energia renováveis;
  • Baixa emissão de gases do efeito estufa;
  • Reaproveitamento de materiais e recursos;
  • Reuso da água;
  • Presença de telhado vivo (ou telhado verde);
  • Iluminação natural;
  • Emissão de Carbono zero

 

Impacto positivo da sustentabilidade imobiliária

O Brasil ocupa o 5º lugar no mundo como país com mais construções sustentáveis, de acordo com um levantamento da USGBC (United States Green Building). Hoje já são mais de 1.500 construções sustentáveis pelo país.

Certificações ambientais mais conhecidas, como o selo LEED (Gold, Silver, Platinum), são utilizadas não só para valorização imobiliária, mas também para auxiliar na manutenção e otimização de recursos, além de valorizar um ativo.

Edifícios sustentáveis têm mais visibilidade, internacionalização, impactam positivamente no valor condominial e trazem status de modernidade e sustentabilidade para a construção. As taxas de condomínio dos green buildings são entre 15% e 25% menores.

Outro grande impacto positivo é a redução da taxa de vacâncias em empreendimentos sustentáveis, que são em média 10% menores do que edificações comuns, por apresentarem vantagens a longo prazo. Além de contribuir com a imagem da companhia adepta de práticas sustentáveis, os fundos de tijolos também são valorizados.

Mas quando o assunto é impacto ambiental causados pela construção civil, o dado mais preocupante é a emissão de carbono.

Dados alarmantes estão incentivando a adoção de práticas carbono zero por parte do governo e de várias empresas. Trata-se de ações que buscam neutralizar as emissões do composto químico durante a construção ou vida útil das edificações.

Novas tecnologias e materiais que contenham menos carbono, podem contribuir para que a emissão do gás na construção civil, seja reduzida de acordo com as metas mundiais estabelecidas.

Viabilização de áreas contaminadas

Outra pauta que têm recebido bastante incentivo governamental é a viabilização de áreas contaminadas. O total de áreas contaminadas por compostos químicos no Estado de São Paulo é de 6.434 m² segundo o último cadastro da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Existe um esforço para que essas áreas sejam revitalizadas e uma parte do mercado imobiliário costuma investir na descontaminação do solo em busca de ganhos futuros.

A localização privilegiada de partes destes terrenos gera um interesse real no mercado de imobiliário, que tem a oportunidade de investir em áreas com grande potencial construtivo. Diante desse contexto, a remediação sustentável é interessante porque une interesses econômicos e ambientais.

Além disso, as técnicas usadas para a recuperação da área visam preservar ao máximo recursos naturais, além de gerar menos resíduos.

Vale reforçar que um empreendimento green building têm um custo de execução maior em relação a um empreendimento convencional, situação que ainda desestimula uma parte das incorporadoras a investir mais em arquitetura sustentável.

Mas soluções como reuso de água, eficiência energética, fachadas com placas fotovoltaicas, co-geração de energia, entre outras, tornam o edifício mais atrativo economicamente a longo prazo.

 

Certificações ambientais no mercado imobiliário

As certificações ambientais têm papel fundamental no mercado imobiliário, pois trazem conscientização sobre a arquitetura sustentável e ajudam a reduzir custos a longo prazo.

Além de reduzirem os danos ambientais causados pela construção civil, as certificações ambientais também trazem impactos positivos para os empreendimentos nos âmbitos econômicos.

É um tipo de investimento que traz competitividade e relevância para os empreendimentos, por isso sua implementação deve ser uma prioridade para aqueles que ainda não são certificados.

 

As principais certificações ambientais são:

 

Certificação LEED

O Leadership in Energy and Environmental Design, é um selo ecológico, reconhecido mundialmente, que tem como objetivo incentivar práticas de construção sustentável, analisando toda a concepção do edifício, desde os critérios de construção até as questões como uso racional da água, eficiência energética e seleção dos materiais.

Certificação WELL Building Standard

Atua como complemento da certificação LEED. Essa certificação avalia se o edifício alia ações sustentáveis a ambientes que trazem saúde e bem-estar aos ocupantes. A avaliação do desempenho é dividida em sete categorias: ar, água, alimento, luz, fitness, conforto e mente.

 

Certificação AQUA-HQE

A AQUA-HQE é uma das certificações ambientais mais importantes do mundo. Desenvolvida pela Dermarché HQE, órgão francês de empreendimentos habitacionais, ela também traz benefícios como a valorização do imóvel e reconhecimento internacional. São 14 categorias avaliadas, entre elas: gestão da energia, relação do edifício com seu entorno e conforto hidrotérmico.

Investir em sustentabilidade é planejar o retorno do investimento a longo prazo, valorizando as edificações e otimizando recursos e materiais. Além disso, a prática de sustentabilidade no mercado imobiliário torna os empreendimentos mais competitivos, modernos e adequados às novas realidades.

 

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