Uma ação a ser tomada logo na idealização do projeto.

16 11 2022 01

A pressão sobre os recursos naturais em relação à construção civil é contínua, mesmo tendo sua necessidade reconhecida nos impactos socioeconômicos, como alta geração de emprego e renda, viabilização de moradias e infraestrutura.

O aumento da produção de resíduos e o descarte irregular geram a necessidade de se criar novas formas para evitar o desperdício, bem como o reaproveitamento do material.

Gerenciar o enorme volume de resíduos diariamente produzidos em uma construção é um desafio tanto para a administração do projeto, quanto para a própria administração municipal.

O descarte irregular em áreas inadequadas acarreta gravíssimos problemas ao meio urbano, sobrecarregando a degradação ambiental desses locais.

A construção civil é responsável por produzir 50% dos resíduos do país. Sendo 50% desta fração composta por materiais de alvenaria, como concreto, argamassas e cerâmicos; 30% de madeira; 10% gesso; 7% papel, plástico e metais, e 3% são resíduos perigosos, resíduos não recicláveis e rejeitos.

Cada um desses materiais deve ser destinado de uma maneira diferente, para tanto, é fundamental um gerenciamento rigoroso, para não ocorrerem prejuízos ao meio ambiente.

Os resíduos da construção e demolição são partes integrantes dos resíduos sólidos urbanos, e representam um dos maiores problemas para o saneamento municipal. Ao nível nacional, as obras produzem cerca de 70 milhões de toneladas por ano, somente no estado de São Paulo a produção chega a 17 mil toneladas por dia.

Diante destes gigantescos números, é preciso um olhar de responsabilidade sobre a gestão de resíduos gerados pela Construção Civil. Para efetiva solução, considerando-se ainda as especificidades regionais, são necessárias ações integradas dos governos municipal, estadual e federal com a iniciativa privada.

No conjunto de iniciativas necessárias para o avanço da construção sustentável no país, a gestão de resíduos é, provavelmente, a que mais rápido pode oferecer resultados significativos. As empresas do ramo da construção civil perceberam que os conceitos da não geração, da correta segregação e da destinação ambientalmente adequada, trazem ganhos para as obras.

O maior destaque está na redução de desperdícios, que leva à diminuição de custos para a destinação. Além disso, a preocupação com a gestão nos canteiros tem se refletido em obras mais organizadas, melhorias na limpeza e, consequentemente, queda no número de acidentes de trabalho.

Toda cadeia produtiva da construção tem se engajado no estudo das possibilidades de reaproveitamento e reciclagem dos resíduos, e na criação de negócios relacionados à cadeia da reciclagem, como por exemplo, o uso de agregado reciclado em obras de pavimentação.

Os resíduos da construção civil são divididos em 5 classes:

 

  • Resíduos Classe A: reutilizáveis ou recicláveis como agregados de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.) argamassa e concreto; de processo de fabricação ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios entre outros) produzidas no canteiro de obras.

 

  • Resíduos Classe B: resíduos recicláveis para outras destinações, tais como papel/papelão, plástico, metais, vidros, madeiras e outros.

 

  • Resíduos Classe C: resíduos que não permitam reutilização ou reciclagem, como por exemplo o gesso.

 

  • Resíduos Classe D: resíduos perigosos como tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles que foram contaminados oriundos da demolição, reforma e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros.

 

Os resíduos de Classe A deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de aterro de resíduos de construção civil. Os da Classe B deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados para áreas de armazenamento temporário. Da Classe C deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas. E os resíduos de classe D deverão ser armazenados, transportados, reutilizados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas.

O maior passo da construção civil diante do montante gerado, se inicia na fase de concepção do empreendimento, na elaboração dos projetos, passando pela escolha de materiais e sistemas construtivos, na execução e continua na fase do pós-ocupação.

É importante maximizar o uso de recursos naturais em uma construção, pensando em todo o ciclo de vida do empreendimento, bem como adotar sistemas de reuso e materiais ecologicamente corretos.

4 iniciativas que podem ajudar de forma prática a controlar os resíduos na construção civil

Como um dos grandes geradores de resíduos atual, o setor da construção civil deve tomar iniciativas sustentáveis que abranjam todo o ciclo de vida do empreendimento

Alguns exemplos de ações para reduzir o impacto ambiental dos resíduos das obras são:

  1. Uso de materiais de construção sustentáveis

A primeira solução para controlar de forma inteligente a geração de resíduos é reduzi-la desde o início da obra através de um planejamento de amplie o uso de materiais sustentáveis.

Além de melhores para o meio ambiente, vários materiais sustentáveis foram desenvolvidos para gerar pouco desperdício nas obras, o que pode significar uma boa redução de custo com matéria-prima.

Um exemplo de tecnologia sustentável voltada à construção civil é o Tijolo Replast. Esse tijolo utiliza plásticos modulares comprimidos em sua produção, podendo ser moldados para mais eficiência na construção, eliminando o uso de colas, adesivos e argamassas, o que significa menos uso de matérias-primas. Além disso, o processo de produção não emite gás carbônico (CO²) e não deixa resíduos plásticos poluentes no ambiente.

 

  1. Reutilização de matéria prima de demolição

Outra possibilidade é reutilizar parte da matéria prima de demolição em outras facetas das obras, sem perder qualidade. Um grande exemplo é usar material de demolição no aterramento de áreas. Já materiais que para a sua obra não passa de resíduo pode ganhar vida em outro setor. É possível vender grande do material original da obra, antes da demolição para antiquários e ferro velho. Além de controlar os resíduos gerados, isso pode ser uma fonte de receita alternativa para a empresa. E se não houver quem compre, até doar pode ser uma ótima medida de controle.

 

  1. Reciclagem de materiais

Outra opção, além das alternativas acima, é reciclar os materiais que não podem ser mais usados ou reaproveitados em suas formas originais. Um bom exemplo de reciclagem de material são os tijolos de isopet, feitos com plástico de garrafas pet prensadas. Neste caso, os restos de um produto da indústria alimentícia se tornam útil para a construção civil.

 

  1. Sistemas de contenção de resíduos no canteiro de obras

É importante destacar o perigo na armazenagem de resíduos tóxicos. Os resíduos que representam perigo aos trabalhadores e à população extrapolam os limites do canteiro de obras e devem ter uma atenção especial. Um exemplo são materiais líquidos altamente contaminantes, como tíners. A falta de contenção apropriada poderia facilmente gerar vazamentos e contaminação da população, fauna e flora no entorno da construção. Por isso, deve-se construir, sempre que necessário, trincheiras de contenção e capelas para gases tóxicos, a fim de minimizar possíveis riscos à saúde.

 

Cuidar do meio ambiente é um bom motivo para se adotar práticas sustentáveis na construção civil, mas a sustentabilidade é diferencial competitivo para o empreendimento, tornando o ativo um passo à frente de sua concorrência.

 

Para muitos clientes, uma construtora que se preocupa com a sustentabilidade na construção civil e adota materiais sustentáveis em suas obras está um passo à frente de sua concorrência.

 

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